sexta-feira, 20 de junho de 2014

about today [live]


estar desempregado é ver passar as sextas
tal qual passam quaisquer outros dias.
há uma semana a findar,
mas não é a mesma coisa.
há um fim-de-semana a espreitar,
mas não é a mesma coisa.
o dia não passa tão devagar,
e não, não é a mesma coisa.

oh, a palerma (da) nostalgia.
oh, a idiota (da) melancolia.
(e) oh, a imbecil (da) (não)-poesia.

penso como será o (meu) final de tarde,
(e) uma dúvida principia a me atormentar:
minis fresquinhas ou tónicos gins?



quinta-feira, 19 de junho de 2014

take on me [covered by aqualung]


hoje acordei à hora certa; o que, quando (des)ocupado se está,
é tão importante como um enfeite de natal no hanukkah.

mal desperto, e com o café (ainda) a meio, fui atacado por um otoverme: era o take on me. (quer-se dizer), não bastava já o desemprego, que parecendo que não é coisa que aborrece, e agora (ainda) tenho de ouvir mentalmente os a-ha.
[...we're talking away, i don't know what i'm to say...]

sim, quem me conhece dirá: ah-e-tal não sei porque te queixas, volta-e-meia ouves o i want love, de-modo(s)-que-não estou a ver a diferença.

mas não, não é igual, na verdade é (bem) diferente. confesso que gosto do i want love e tenho outros guilty pleasures nas minhas playlists; mas nunca o take on me. esse tenho-o agora, mas na cabeça, e em forma de otoverme.
[...so needless to say, i'm odds and ends...]

e tento-me concentrar-me e...
[...take on me...]
e tento focar-me e...
[...i'lll be gone...]
e solto um f*da-se e...
[...tiri-tiri-tiri-tiiii...]

dizem que há dias que mais vale não sair de casa,
e pode (até) haver uma certa razão nisso,
mas, fuck, eu hoje ainda nem saí de casa,
de-modo(s) que quero nem opinar sobre o assunto.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

in the waiting line

acordei e liguei o computador; pouco depois concluí os mínimos olímpicos da (des)ocupada rotina. ainda assim, havia em mim a sensação de algo faltar. (re)chequei o mail e os (des)empregrados sites e népias. e a sensação do faltar algo mantinha-se. lembrei-me dos tempos em que trabalhava e em que do nada me pediam mil-e-duas-cenas; e eu (lá) escrevinhava tudo num papel e desenhava (também) uns quadrados par lhes aplicar um visto sempre que concluía algo. (ainda assim) havia dias em que depois de aplicar o final visto ficava com a ideia que me podia ter faltado algo. tal como hoje, mas agora, como estou (des)ocupado essa sensação tornara-se mais estranha.
primeiro pensei que era um recalcamento. depois concordei comigo e concluí que só podia ser um recalcamento. depois lembrei-me que o prazo para a apresentação-na-junta terminava amanhã e coloquei a pasta (e o calhamaço) na mala e saí disparado.

esperar por autocarros não é (bem) uma espera. é mais uma espécie de sono de canídeo com orelha levantada. volta-não-volta dá-se um passo à frente para tentar perceber qual o número do autocarro que se aproxima. de-modo(s)-que recorri ao plano cê: acendi o cigarro, dei duas passas e o autocarro apareceu.

na junta não estive sequer um quarto de hora: tirei a senha, ouvi uma senhora queixar-se do tempo de espera, um senhor preparava-se para concordar com ela, mas no entretanto o electrónico quadro piscou e ela lá entrou; pouco depois entrou o senhor e logo a seguir foi a minha vez; assinaram-me a folha e (com simpatia) tiraram-me um par de dúvidas; detive-me à saída a olhar para um papel e, ainda deu tempo para ouvir um (outro) senhor queixar-se (da espera). saí, consultei o relógio e sim, não tinha passado um quarto de hora. (lá está, quando se tem um livro e se tem tempo, a espera é sempre curta.)

vim para casa a pensar nisso; (nisso) e no queixume. eu queixo-me amiúde, não desgosto de me queixar e por vezes até me distraio e resvalo para a pieguice. mas, quer-se dizer, há uma linha que separa o queixume-piegas (tipo-o-síndroma-do-homem-constipado) da indignação-não-racional: tudo bem que as pessoas se podem queixar (do tempo) da espera, mas não seria melhor esperar cinco ou sete minutos antes de iniciarem o monólogo?


terça-feira, 17 de junho de 2014

everyday is like sunday

ontem o dia principiou por nem correr bem nem mal; antes pelo contrário. depois lá chegaram as cinco, e se por um lado era suposto haver um jogo entre duas selecções, por outro, apenas uma é que decidiu jogar. a surpresa é que não foi surpresa nenhuma: não há nada de incomum em ver Portugal "de-quatro" perante a Alemanha.

anyway, o dia lá continuou ao ponto de comentar o meu (próprio) post. é oficial: largos minutos têm as horas de um (des)ocupado dia. ou, como diria não-sei-quem: podia dar-te para pior, mas (também) não estou a ver como.

eis-me agora a descrever o dia de ontem e a constatar o drama em que enfiei: perdi o meu ódio de estimação, fuck; estar (des)ocupado é passar uma segunda-feira sem a odiar. e não há como um ódio de estimação. (e) o meu ódio de estimação era a segunda, e agora passa a segunda e eu, nem por um segundo, a odeio. é-que-nem-é-bom.

tenho de arranjar um plano, órfão do meu ódio de estimação é que não posso ficar. (agora) há em mim uma necessidade de planear o: "ódio às segundas: o regresso". pergunto-me o que faria o grande génio do século vinte perante esta situação? (já pesquisei o catálogo da acme e nada me chamou a atenção).

talvez o segredo esteja na playlist. criarei um playlist específica para tocar às segundas: pan pipes play celine dion love songs, intercalado: por gravações de crianços sem jeito para a música a tocar clássicas partituras ao piano ou violino; êxitos dos noventas e oitentas que não eram suficientemente maus para serem bons; hinos de partidárias campanhas; singles daquelas (desconhecidas) bandas dos programas da manhã e da tarde que fazem o tradicional pimba parecer erudito; e tanbém as baladas daquelas bandas que se julgam rock e (na realidade) fazem um uma cena fê-éme tão cool como uma beterraba numa fruteira. isto e one direction's e afins.

yep, será a playlist das playlist's e eu, bem, eu já me vejo a lentamente principiar a (re)odiar as segundas.
pronto's. (e) é isto. fiquem bem que eu vou ali a um sítio ver se encontro outras melódicas pérolas para compor o (genial) plano.



segunda-feira, 16 de junho de 2014

it's no good

há um par de semanas foi massive attack; e na passada semana foi depeche mode; para a semana que hoje se inicia ainda não me decidi pela banda sonora do meu (des)ocupado tempo.

como se indefinição se arrastava, optei por ligar a televisão num qualquer noticioso canal.
[ok, o televisivo yada-yada-yada é uma companhia que, parecendo que não, (até) distrai. de-modo(s)-que decidi desligá-la quando (finalmente) elegesse a banda (ou ouvisse cê-érre-sete mais que trinta e seis vezes.)]

(ainda) não passaram vinte minutos e já desliguei a tê-vê. (e,) a banda sonora continha por eleger: the national? bowie? blur? num-sei.

sei que gosto de futebol, mas daquele que dura noventa minutos e que começa e acaba com o apito do árbitro. (já) quanto aos infindáveis pormenores pré-jogo, com filmados directos de hora-a-hora intervalados por comentadores sempre prontos a tudo dizer para nada acrescentar, (já) não tenho paciência nem pachorra.

a tê-vê permanecerá desligada até à hora do jogo. pixies? pavement? jeff buckley? (ainda) num-sei.
sei que são onze contra onze e no final ganha a Alemanha, de-modo(s) que, vamos lá Portugal, vamos ser a excepção que confirma a regra.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

sure

nesta (portuguesa) vida há dois tipos de certezas:
a certezinha-absoluta e ouvir os jardins proibidos em qualquer karaoke.
da primeira não tenho (assim) tanta certeza.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

pray for rain

ontem postei que precisava de férias, e depois comentei que não pode chover sempre.
e hoje, naturalmente, está um lindo dia.

quer-se dizer, nas (poucas) férias que gozei enquanto trabalhava, o bom do são pedro brindava-me sempre com chuva (daquela-que-cai-certinha e ainda por cima molha); agora que estou desocupado aparece o bom tempo.
quer-se dizer, eu que precisava de uns ténis agora tenho que comprar uma samarra.

é que, parecendo que não, ainda me chamam para uma entrevista e depois, como é?
o tipo olha para mim com aquele ar de:
[pois, pois, estou eu aqui com uma cor de bife de perú e aparece-me este marmanjo todo bronzeado, tu deves ser bom é a trabalhar para o bronze....]
e diz-me algo como:
sim, sim, gostei muito do seu currículo, (vá lá à sua vida que) nós depois entramos em contacto consigo.

e lá está, como aprendi na assertiva formação, depois a resposta é tão certa como um nada-desta-vida.
e sabem o que é um nada-desta-vida? exacto, é um nada-desta-vida.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

a question of time

desloquei-me ao centro-de-emprego com a confiante confiança de quem tem em sua posse um papel assinado com a nota (de) que o mesmo não pode ser assinado.

tirei a senha, sentei-me e meio micro-capítulo depois (já) era a minha vez.
[quer-se dizer, ouve um gajo histórias e queixumes de intermináveis esperas e vai-se a ver ler e nem para um par de páginas dá.]
[ok, a verdade é que não é bem assim; na verdade, padeço do síndrome-murphyniano-da-(des)proporção-dos-números: os minutos que espero são inversamente proporcionais ao número de páginas do livro que estou a ler.]

a senhora que me recebeu era de uma educação exemplar....(mente-inexistente). era notório que o meu desemprego estava a transformar o seu emprego em trabalho: cada dúvida que lhe expus foi-me devolvida com um revirar de olhos e meia dúzia de palavras tão esclarecedoras quanto um manual de bases metoxiladas para manipulação fenilquilamínica.
remeti-me ao silêncio e (lá) recebi o novo papel: uma cena tipo renovação de contracto do termo de identidade e residência. desejei-lhe um resto-de-um-bom-dia e pela expressão da senhora nem quero saber o que mentalmente ela me desejou a mim.

de-modos que é isto: parecendo que não estou a precisar de umas (boas) férias.
[e-é-isto, um tipo desempregado há pouco mais de um mês e a achar que já precisa de férias... é por isto que este país...enfim.]

segunda-feira, 9 de junho de 2014

wolf at the door

se as meias-patilhas não foram responsabilidade minha, o mesmo não posso dizer da ideia de ter aparado apenas metade do cabelo. de-modos-que acordei como o sideshow bob (mas sem a vontade de matar o bart em particular).

não havia em mim a excitação de último dia de aulas, mas sabia que depois de almoço estaria mais aliviado.

vamos finalizar falando de tipos de pessoas; sabem, não somos todos iguais... há pessoas assertivas, outras que são activas, e naturalmente também existem as passivas....
[só o idiota da mesa do meio se riu, mas lá parou quando se apercebeu que era o único.]

...mas antes umas senhoras falar-vos-ão de uns cursos com muita procura no mercado de trabalho.
[não dúvido, mas procurar vender cursos de quase três mil euros a um grupo de desempregados parece-me tão pertinente como procurar fazer negócios com vegatarianos em feiras de enchidos transmontanos]

bem, para não vos chatear com as diferentes definições dos diversos tipos de pessoas, vou-vos mostrar um filme....
[ok, o melhor é tentar não arriscar um palpite, mas a arriscar inclinar-me-ia para o grande ditador.]

o filme é o crash...
[cronenberg... não posso, por esta não esperava eu, (só) não estou a ver a relação, mas tudo bem.]

o filme tem uma década, mas continua actual...
[ok, afinal é o do paul haggis, e assim já faz (mais) sentido; se tens uma audiência de (forçados) desempregados, que poderá haver de melhor que um filme que mistura diversas personagens em conflitos vários, com o desespero a funcionar como uma constante e os preconceitos a multiplicarem-se; (enfim) uma história feita de múltiplas histórias onde há sempre alguém pronto a passar-se ou pura-e-simplesmente a explodir.... uma história de pedaços de histórias (in)varialmentes tristes e injustas.]

e no entretanto terminei a assertiva formação; dentro de um par de meses receberei o certificado. mal posso esperar: qual licenciatura, qual pós-graduação, qual quê? com esta adição às (minhas) habilitações académicas já ouço o emprego a bater-me à porta. é só um segundo, vão fazendo fila que eu já vou.

sábado, 7 de junho de 2014

mercy in you

acordei (demasiado) cedo, saí de casa e dei por mim perto de um cabeleireiro. o (meu) reflexo dizia-me para eu entrar; reparei que estava vazio (tipo às moscas, só que sem moscas) e entrei.
[pois, têm razão, ainda estava meio adormecido e nem me lembrei da assertiva formação. na-volta ainda chumbo. e daí que talvez não, não podendo ir a entrevistas durante o período da assertiva-fomação, talvez isto passe. espero eu.]

uma vez lá dentro, pedi para cortar o cabelo e aparar a barba e, quando abri os olhos, tinha umas micro-patilhas. quer-se-dizer, a barba, tudo bem, de quando em vez ainda a aparo; agora as patilhas? (quer-se-dizer) as minhas patihas? há muito que os meus ouvidos são acompanhados de patilhas; maiores ou menores, mas sempre a acompanhar a totalidade das orelhas. a meio, não. no entanto é a meio que estão. podia ser pior, mas nem por isso é bom. e agora? não acho piada nenhuma a isto.

de-modos-que ainda agora vi o meu reflexo e deu-me para escarnecer de mim; (confesso que) não resisti.
de-modos-que agora estou amuado comigo, não me pareceu correcto que eu mesmo, troçasse de mim; não daquele modo. 
por outro lado, ao ver o meu reflexo fui incapaz de não me escarnir. (e) é isto. estou num modo bipolar em que ora gozo comigo mesmo oro amuo comigo por comigo ter gozado.