quarta-feira, 18 de junho de 2014

in the waiting line

acordei e liguei o computador; pouco depois concluí os mínimos olímpicos da (des)ocupada rotina. ainda assim, havia em mim a sensação de algo faltar. (re)chequei o mail e os (des)empregrados sites e népias. e a sensação do faltar algo mantinha-se. lembrei-me dos tempos em que trabalhava e em que do nada me pediam mil-e-duas-cenas; e eu (lá) escrevinhava tudo num papel e desenhava (também) uns quadrados par lhes aplicar um visto sempre que concluía algo. (ainda assim) havia dias em que depois de aplicar o final visto ficava com a ideia que me podia ter faltado algo. tal como hoje, mas agora, como estou (des)ocupado essa sensação tornara-se mais estranha.
primeiro pensei que era um recalcamento. depois concordei comigo e concluí que só podia ser um recalcamento. depois lembrei-me que o prazo para a apresentação-na-junta terminava amanhã e coloquei a pasta (e o calhamaço) na mala e saí disparado.

esperar por autocarros não é (bem) uma espera. é mais uma espécie de sono de canídeo com orelha levantada. volta-não-volta dá-se um passo à frente para tentar perceber qual o número do autocarro que se aproxima. de-modo(s)-que recorri ao plano cê: acendi o cigarro, dei duas passas e o autocarro apareceu.

na junta não estive sequer um quarto de hora: tirei a senha, ouvi uma senhora queixar-se do tempo de espera, um senhor preparava-se para concordar com ela, mas no entretanto o electrónico quadro piscou e ela lá entrou; pouco depois entrou o senhor e logo a seguir foi a minha vez; assinaram-me a folha e (com simpatia) tiraram-me um par de dúvidas; detive-me à saída a olhar para um papel e, ainda deu tempo para ouvir um (outro) senhor queixar-se (da espera). saí, consultei o relógio e sim, não tinha passado um quarto de hora. (lá está, quando se tem um livro e se tem tempo, a espera é sempre curta.)

vim para casa a pensar nisso; (nisso) e no queixume. eu queixo-me amiúde, não desgosto de me queixar e por vezes até me distraio e resvalo para a pieguice. mas, quer-se dizer, há uma linha que separa o queixume-piegas (tipo-o-síndroma-do-homem-constipado) da indignação-não-racional: tudo bem que as pessoas se podem queixar (do tempo) da espera, mas não seria melhor esperar cinco ou sete minutos antes de iniciarem o monólogo?


4 comentários:

  1. Sempre podias aproveitar o teu tempo de desempregado para fazer uma bd, tipo american splendor mas do género as aventuras do jovem desempregado em portugal (ser jovem não é fácil). Espero que fiques assim muito tempo, ou pelo menos o suficiente para teres material para escrever o livro do (DES)EMPREGADOS DIAS E A CRÓNICA POSSÍVEL, NINGUÉM LÊ UM LONGO POST.

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    1. gracias pela força;(na verdade, espero (mesmo) não arranjar trabalho só para não te desiludir).
      e a ver como as coisas estão parece-me que não vai ser difícil.
      quanto ao ser-se jovem, desconheço o que isso é desde que deixei crescer a barriga e as brancas se apoderaram da (minha) barba.
      aparte disso tenho tanto jeito para o desenho como as pessoas têm vontade de ler longos post's.
      mas, e mais do que tudo o que escrevi, gracias pelo comentário, procurarei continuar a ocupar o (des)ocupado tempo com as crónicas possíveis;
      aquele-abraço, éme.

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  2. Quem escreve coisas mázinhas põe-se atrás do anonimato. Quem escreve coisas fofinhas, assina.

    "Coisas Fofinhas", pronto!

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    1. (ele não foi mauzinho), mázinha foi a minha resposta;e, pelo menos para mim, (ele) não é anónimo, é um grande amigo meu que conhece bem a minha inata propensão para a inactividade e preguiça e que nem por isso desiste de me tentar espevitar;
      (but)-thanks-anyway, éme.

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